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De avião. Actualmente até as LowCoast já operam a partir de Lisboa para Menorca. No Verão os operadores turísticos disponibilizam também voos charters. Creio que, em qualquer dos casos tem que se fazer escala. Quando fui, pernoitei em Palma de Maiorca. O que até foi bom pois a vista da varanda do hotel debruçada sobre a imensa marina balear, foi uma das melhores memórias visuais desta viagem.
Uma grande capacidade de se surpreender, uma máquina fotográfica, bloco de notas, óculos de mergulho e um olhar que se possa encher de tudo o que esta pérola mediterrânica tem para oferecer..
Estamos a falar de gastronomia mediterrânica. Podemos afirmar que a gastronomia menorquina conserva uma história ( e histórias) muito particulares.. Por vezes os pratos estão associados a algo da sua história, acontecimento ou civilização. Por exemplo, o incontornável e típico gin disponível em muitos dos bares típicos da ilha está associado a um período específico da dominação Inglesa da Ilha. (aconselha-se uma visita às destiladoras no porto de Maó). Outro exemplo, defendido pelos seus habitantes, é o da particularidade do sabor da carne e queijos locais. Resultado, dizem; dos pastos impregnados do sal que os fortes ventos trazem para do mar para terra.
Fiquei em Calla Galdana. Também conhecida como Cala Santa Galdana, em Ferreries, é uma das maiores da pequena ilha. Com uma água azul-turquesa e uma temperatura generosa, Calla Galdana, a sul, é uma das melhores resguardadas do vento da ilha. Aliás, como comprovam as dezenas de veleiros que por alia fundeiam e repousa, após várias milhas sulcadas no mar. Com um manto de pinheiros que preenche toda a encosta, é também dotada uma grande beleza natural. O melhor: a vista maravilhosa do hotel, virado para o mar. Não esqueço aqueles entardeceres em que da varanda o olhar repousava sobre os veleiros que, ao longe ancorados e protegidos pela calla, balançavam suavemente no mar. O pior: A simpatia e qualidade de serviço do hotel contrastam negativamente, por vezes.. repito, por vezes, com a beleza da ilha.
Os locais são de modo geral afáveis e disponíveis. Mais dos que os continentais que aqui desembarcam apenas no verão para se empregarem nos mais variados serviços de turismo.
Podemos afirmar que as maiores diferenças se notam na língua A língua própria de Menorca é o Catalão. Contudo existe na ilha uma variante de dialecto que é o Menorquí. É comum ouvi-los a comunicar neste dialecto, onde, por vezes, parece que se distingue uma ou outra palavra familiar, quem sabe, heranças dos antigos exploradores portugueses.
Creio que toda a ilha é “a não perder”. Contudo, tentando ser mais específico, as Callas; Pequenas ensiadas, esculpidas por entre as rochas, onde se pode aceder ao mar e estendermo-nos na areia ou fundirmo-nos no mar. As Callas são geralmente pequenas e geralmente bastante variadas. Ha Callas para todos os gostos. Desde as com longas praias com um suave manto de areia, até as mais escondidas e inesperadas, com acessos difíceis mas com umas águas em que, por instantes, nos sentimos noutras paragens; Diz-se, e eu testemunhei, que este é El Caribe da Europa. Azul turquesa ou verde leitosos onde, quem se munir de uns óculos de mergulho poderá assistir a verdadeiros bailados multicoloridos das várias espécies que habitam aquelas águas, não deixam quaisquer Duvidas.
A encosta sul da ilha é formada pelas maiores Callas, com os maiores areais rodeadas de verdes pinhais, enquanto ao norte, mais agreste provocado pela erosão do vento é salpicado de múltiplas callas mas de generosa beleza...
E depois há as cidades, Ciutadela e Maó, para referir apenas as maiores, e mais importantes.
Maó com o seu porto natural, um dos maiores do mundo, de grande beleza.. Fenícios, cartagineses (aquém atribuem o nome original, nome do general Magon, irmão de Aníbal), romanos, mulçumanos, ingleses, franceses, espanhóis, todos disputaram , refugiaram e ajudaram a formar esta cidade nesta pequena ilha mediterrânica.
E Ciutadella no extremo oeste da ilha, onde nos podemos perder sem destino pelas calas do casario colonial de cores claras e luminosas, apenas pelo prazer de respirar esta atmosfera mediterrânica, nesta capital cultural e comercial da ilha.
Historicamente, Ciutadella tem sido o mais importante porto comercial de menorca. De facto, esta parte da ilha é a que está mais próxima da sua vizinha, e bem maior, Maiorca. Aliás, em dias claros e transparentes é possível vislumbrar a partir da zona do porto mais a ocidente o desenho da linha que define a ilha de Maiorca.
O que também não se deve perder em Menoca são as contruções prehistóricas e as grutas artificiais que abundam pelo interior da ilha. Costruções megalíticas, fortificações do passado prehistórico, restos de povoados Talayóticos e outras surpresas de uma ilha que é, na verdade, um verdadeiro museu ao ar-livre.
Nada de especial. Principalmente, cuidado com alguns preços e ofertas duvidosas aliás, tal como acontece em todos os pontos turísticos.. Ah, é verdade, se andar de carro, cuidado com as vacas no meio da estrada :-)
Independentemente de onde ficar, alugue um carro e visite a ilha. 1 dia (para uma visita rápida, dois ou 3 para uma mais completa e pormenorizada. Estamos a falar de uma ilha em que a distância entre as duas principais cidades, Ciutadela a este e Maó a Oeste dista apenas 45km. Pegue num mapa e dedique algum tempo a esse inesquecível exercício de descoberta das calas pela ilha. Não deixe de passar pelas principais cidades, veja atentamente os mercados artesanais e perca-se ao entardecer, numa esplanada junto ao mar enquanto se delicia com um Gin..
http://www.visitmenorca.com/
Foram 15 dias de profundo repouso, mas também de gratificantes experiências de contemplação e fusão com esta ilha, cultura e climas fantásticos.
dessas memórias, deixo apenas aqui uma. Simples momento de contemplação mas que ilustra o que se sente, quando se sente este local..
O ar estava quente e o Sol acariciava agora o horizonte desenhando uma intensa estrada de fogo que se estendia desde Oeste, para lá do mar, até se desfazer na areia fina e branca que repousava agora, ao entardecer, revolta pelos pés dos banhistas e pelas pás das crianças que, durante o dia, escavaram na construção de vales e montes ou na incessante busca de tesouros e outros mistérios que povoam generosamente o imaginário das crianças.
Sentado na esplanada do restaurante onde jantava e repousava, após mais um dia de intensa actividade e lazer, contemplava este fantástico entardecer que envolvia toda a Calla, Calla Galdana, de uma atmosfera mágica, intensa e única como só o Mediterrâneo pode oferecer, nas tardes quentes de Julho em Menorca, a mais pequena e a mais bela das Baleares.
Protegidos pela Calla dançavam, tranquilamente embalados pela brisa, alguns veleiros vindos, na sua grande maioria, do Norte. Algumas tardes passei, ali, a contempla-los e a imaginar as rotas, os ventos, os dias e as noites e as gentes que os trouxeram de um qualquer porto da Noruega, da Inglaterra, da Holanda ou, mesmo nalguns casos, do outro lado do Atlântico.
Por vezes olhava-os tão fixamente que fazia o tempo parar, permanecendo assim, suspenso num estado quase hipnótico como se eles me prendessem ao passado, aos mares e às aventuras que outros possuíam e conheciam, enchendo a minha alma de fantasia e cheiro a maresia.
Nessa tarde estava particularmente sensível. O suave ondular dos mastros que dançavam ao longe, o laranja intenso e vivo que se derramava no ar humido e quente, a brisa suave que o refrescava, o Sol que se afundava lentamente no horizonte, as últimas vozes do dia dos que recolhiam agora ao hotel para se prepararem para a noite, os sons familiares dos restaurantes que começavam agora a servir os primeiros jantares e as flores silvestres que repousavam em pequenos jarros de barro sobre as mesas criavam uma atmosfera única e apaixonada que me prendia aqueles barcos que repousavam nas aguas calmas e protegidas pela Calla, ou nos outros, mais distantes que, de pano erguido, à bolina ao largo ou à popa, cortavam implacavelmente o Mediterrâneo como pequenos pontos traçados no horizonte rumo, quem sabe, a outra calla, a outro porto ou de regresso a casa para um merecido repouso depois de muitas milhas vencidas e conquistadas ao mar, de muitos ventos aliados ou indiferentes brisas e de, certamente, alguns momentos difíceis e de muitos entardeceres e alvoradas consumidos a partir dos convés....






