Gorongosa: O Renascer da Vida Selvagem
Notícia 51 - 2009-09-04 15:21:17
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O sonho do milionário Norte americano Greg Carr tornou-se realidade. Em 2004, este empresário que fez fortuna no ramo das comunicações, visitou a Gorongosa e apaixonou-se.
Desde ai o seu esforço para recuperar esta "jóia da coroa" da vida selvagem moçambicana não parou e tem dado muitos e bons frutos.
Situado no coração de Moçambique, o Parque Nacional da Gorongosa é senhor de uma biodiversidade notável. O cenário natural varia da exuberante floresta tropical às extensas planícies e já acolheu algumas das mais numerosas populações de várias espécies de animais selvagens, sobretudo mamíferos de grande porte.
Entre os anos 50 e 80, o parque viveu dias de prosperidade. Os animais proliferavam e o número de visitantes crescia a cada ano, acolhidos por uma série de infra-estruturas que asseguravam todo o conforto e segurança durante a estadia no parque.
Os visitantes da Gorongosa incluíram nomes famosos como Amália Rodrigues e várias estrelas de Hollywood.

Nesses tempos, era comum avistar várias espécies de animais no mesmo dia, algumas em grande quantidade, sendo a casa dos leões o seu maior ex-líbris.
Durante a Guerra da independência de Moçambique, o PNG foi salvaguardado não sofrendo grandes danos. 
Entre 1972 e 1976 verificou-se até um aumento da população de várias espécies de animais.
Contudo, com o estalar da guerra civil no inicio dos anos 80, os confrontos entre as tropas do governo e os guerrilheiros da RENAMO, invadiu os limites da Gorongosa. O ecossistema foi gravemente danificado, milhares de animais foram dizimados e todos os equipamentos foram destruídos pelos bombardeamentos. Finalmente, em 1983 o parque foi fechado e votado ao abandono. Os elefantes foram mortos e o seu marfim extraído para comprar armamento, ao passo que outras espécies como zebras, búfalos ou bois cavalo eram mortos pelos soldados famintos. Já os leões eram mortos por passatempo ou acabavam por sucumbir por falta de presas que lhes assegurassem alimento.
Após o fim da guerra, em 1992, a caça furtiva manteve-se prática corrente até 1994, fonte de alimento fácil para as populações devastadas pela guerra e, a outrora numerosa população de mamíferos de grande porte via-se então reduzida em quase 90%.
Em 1994 deu-se a primeira tentativa de recuperação do parque iniciada por instituições nacionais. A caça furtiva começou a ser combatida e cerca de 100 caminhos de estradas e caminhos foram abertos, começando a desenhar-se a recuperação deste verdadeiro paraíso da vida selvagem.
Contudo muito havia por fazer (e ainda há) e para isso era preciso conjugar dinheiro, determinação, vontade política e mão-de-obra qualificada.
Estes factores acabaram por reunir-se em 2004, quando o Governo Moçambicano e a Fundação Carr, sedeada nos EUA, concertaram esforços no sentido de fazer renascer o Parque, reconstruir os seus equipamentos, restaurar a fauna e flora bravias e estimular o desenvolvimento da actividade turística no local, promovendo a viabilização económica da Gorongosa e gerando melhores condições de vida às populações residentes nas suas redondezas.
Greg Carr via o seu sonho avançar e o Estado Moçambicano reconhecia a grande oportunidade que o parque representa para o desenvolvimento da economia da zona central de Moçambique, uma das regiões mais pobres do mundo. Dava-se assim início a um novo e importante capítulo da história deste Parque.
Entre 2004 e 2007, a Fundação Carr investiu mais de dez milhões de dólares neste projecto: Foi criado um Santuário de Fauna Bravia com cerca de 6.000 hectares, através do qual espécies como búfalos e bois-cavalos começaram a ser reintroduzidos no ecossistema e iniciou-se a construção do novo acampamento de safaris de Chitengo. Situado numa área central do parque, este pólo abrange várias cabanas e um parque de campismo, prontos a receber os visitantes com todo o conforto.
O projecto inicial de recu
peração da Gorongosa dava sinais de evidente sucesso e em 2008 o Governo de Moçambique e a Fundação Carr acordam a co-exploração do parque para os próximos 20 anos num investimento que ronda os 40 milhões de dólares.
Greg Carr, o pai do projecto e actual administrador do PNG, afirma que o seu objectivo principal ao fim destes 20 anos é de que o parque esteja totalmente recuperado, cheio de animais, com uma forte gestão liderada por moçambicanos e que seja financeiramente viável, viabilidade essa que só é possível mediante uma actividade turística consistente e geradora de riqueza.
Outra peculiaridade deste projecto é o envolvimento das populações locais. Para que o parque recupere ao nível da biodiversidade e se encha novamente de árvores como as acácias amarelas ou a panga-panga e volte a acolher grandes quantidades de leões, elefantes, antílopes, pássaros ou crocodilos, é urgente acabar com a caça furtiva e com as queimadas feitas pelos agricultores das aldeias vizinhas. Isso só é possivel mediante a educação das populações e a integração das mesmas no projecto de recuperação do parque.

Hoje em dia, o PNG dá já emprego a cerca de 500 pessoas. 98% são moçambicanas e muitas delas vivem nas aldeias adjacentes ao parque. A actual administração do parque, ao longo destes 5 anos construiu escolas, um centro de saúde e levou água potável a esses lugares outrora esquecidos.
Está também a ser construído, com recurso a técnicas totalmente ecológicas, um centro de educação comunitária onde turistas e população local receberão formação acerca de ambiente, desenvolvimento rural, saúde, agricultura entre outros temas.
Greg Carr afirma esta aposta na Gorongosa como uma paixão e não como um bom investimento. Mais do que ganhar dinheiro, este filantropo quer aliar a recuperação da biodiversidade com o desenvolvimento humano de uma das zonas mais pobres do mundo para que, daqui a 100 anos, este seja um lugar melhor para viver e uma referência do turismo de safaris em todo o mundo.
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